Policial

Racismo Mancha Rodada do Campeonato Estadual em Costa Rica – MS

por Redação | ter, 12/03/2024 - 19:47

No último dia 3 de março, durante a nona rodada do Campeonato Estadual Sul-mato-grossense de Futebol Profissional Série A – Edição 2024, uma partida que deveria ser marcada pela competição saudável entre o Costa Rica Esporte Clube (CREC) e o Operário Futebol Clube foi infelizmente ofuscada por um caso grave de racismo.

O árbitro Rosalino Francisco Sanca, designado como quarto árbitro do jogo, foi alvo de ofensas de baixo calão proferidas por um indivíduo que se identificou como responsável pelo estádio. No momento em que solicitava que o mesmo se retirasse de uma área restrita próxima à porta do vestiário da arbitragem, destinada apenas a pessoas autorizadas, o agressor lançou insultos depreciativos, demonstrando claramente uma atitude discriminatória.

Médico Marcus Andre Dos Santos da equipe do C.R.E.C

Médico Marcus Andre Dos Santos da equipe do C.R.E.C

As palavras direcionadas ao árbitro foram de uma natureza extremamente ofensiva e repulsiva. “Por isso que ninguém gosta de você aqui, pau no cu caralho”, foram as expressões utilizadas, denotando uma clara falta de respeito e civilidade. A situação se agravou ainda mais quando Marcus Andre Dos Santos, que se apresentou como médico da equipe do Costa Rica Esporte Clube, proferiu declarações racistas e difamatórias contra o árbitro.

O racismo ainda persiste em pleno século XXI, demonstrando que é necessário um combate constante contra essa forma de discriminação. As palavras de Marcus Andre Dos Santos, “ele é confusão esse neguinho ai, ele é confusão, ele é confusão”, são inaceitáveis e repugnantes, ferindo não apenas a integridade do árbitro, mas também a dignidade humana.

Em um momento de tristeza e desânimo, Rosalino Sanca, o árbitro agredido, expressou sua dor diante do ocorrido. “Essa ação não é apenas contra o ‘Sanca’, é contra a humanidade e todos os negros no mundo. Este é um caso que chegou diretamente a mim, foi um ataque a toda a comunidade negra. A justiça que quero é uma justiça reeducadora dos valores e princípios africanos.”

Sanca, visivelmente abalado, enfatizou que essa luta contra o racismo é uma guerra mundial que exige a união de todos. “A bandeira não é do Sanca, a bandeira é de todos. É uma batalha que transcende minha pessoa, é uma batalha pela dignidade humana e pelos direitos de todos os negros. Todos os irmãos têm que se unir para que situações como estas não aconteçam mais.”

Árbitro enfatiza que essa guerra contra o racismo é mundial

Árbitro enfatiza que essa guerra contra o racismo é mundial

O árbitro destacou a importância de alertar a comunidade negra para estar presente em todos os lugares e, caso aconteça novamente, todos devem se manifestar. “A justiça que estou procurando é a conscientização, é a educação, é a valorização da contribuição dos negros no mundo. Devemos estar em todos os lugares, ser vistos e ouvidos. Essa é a justiça que estamos buscando.”

O advogado Leandro Soares, representante legal de Rosalino Sanca e membro do Observatório Racial no Futebol, revelou que o boletim de ocorrência já foi registrado e que aguarda a apuração por parte da polícia civil de Mato Grosso do Sul. Soares destacou a gravidade do caso, ressaltando que os casos de racismo no futebol brasileiro são alarmantes.

“Em 2021, tivemos mais de 64 denúncias; em 2022, mais de 92 denúncias; e em 2023, mais de 100. Ou seja, as denúncias ocorrem, e muitas pessoas acreditam que no campo tudo pode ser dito sem que haja consequências, e muito pelo contrário”, declarou o advogado.

Soares apontou que esses dados são, na verdade, muito maiores, pois muitas vítimas não se manifestam por receio de retaliações e perda de oportunidades. “O Sanca me trouxe uma questão muito particular de nós, pessoas negras, o receio de perder oportunidades caso denunciem e com isso não dão continuidade nos processos”, acrescentou.

O advogado Leandro Soares afirmou que o Observatório Racial no Futebol estará com toda a equipe jurídica à disposição do árbitro Rosalino Sanca até o desfecho do processo. A entidade se compromete a acompanhar de perto todas as etapas, visando garantir que a justiça seja feita e que medidas efetivas sejam tomadas para combater o racismo no futebol brasileiro.

Advogado Leandro Soares do Observatório Racial no Futebol

Advogado Leandro Soares do Observatório Racial no Futebol

O Costa Rica Esporte Clube e as autoridades competentes precisam tomar medidas rápidas e eficazes para identificar e punir os responsáveis por esse ato deplorável. O futebol deve ser um ambiente de união e respeito, e é imperativo que casos como esse sejam tratados com a seriedade que merecem.

O Campeonato Estadual Sul-mato-grossense de Futebol Profissional Série A – Edição 2024 não pode ser manchado por atitudes discriminatórias, e a sociedade exige ações efetivas para combater o racismo no esporte e em todos os setores da vida. A luta contra o preconceito deve ser incessante, e é responsabilidade de todos promover um ambiente inclusivo e respeitoso para todos os envolvidos no mundo do futebol.

O presidente do Sindárbitro-MS, Ernani Tomaz da Silva, repudia veementemente qualquer tipo de discriminação racial, religiosa e de gênero. Toda a diretoria está prestando total apoio a Rosalino Sanca, solidarizando-se com o árbitro diante deste lamentável episódio.

“Esperamos que a polícia civil de Mato Grosso do Sul faça um trabalho eficaz de investigação, e que as medidas necessárias sejam tomadas para que os culpados possam ser punidos com o rigor da lei. É inaceitável que situações como essa ainda ocorram no cenário esportivo, e é dever de todos nós lutar pela erradicação do racismo e pela promoção de um ambiente inclusivo no futebol e na sociedade como um todo”, afirmou Ernani Tomaz da Silva.

A Assessoria de Imprensa da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul foi acionada, mas até o fechamento desta edição, não se pronunciou sobre o caso.

 

Assista ao vídeo com os ataques racistas

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